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Paço das Artes
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Jardim Europa
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São Paulo/SP, Brasil
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Temporada de
Projetos

Temporada 2015

Preposformance II

ABERTURA
21 julho, 2015 - 19h00
VISITAÇÃO
21 de julho a 20 de setembro de 2015
ACOMPANHAMENTO CRÍTICO
Priscila Arantes é diretora artística e curadora do Paço das Artes desde 2007. Entre 2007 e 2011 foi diretora adjunta do MIS (Museu da Imagem e Som). É pós-doutora pela Pennsylvania State University (EUA), doutora em Comunicação e Semiótica pela (PUC/SP), pesquisadora, crítica de arte e professora universitária. Recebe em 2012 prêmio da Getty Foundantion (USA) e em 2007 é finalista do 48º Prêmio Jabuti pela publicação “Arte@Mídia: perspectivas da estética digital” Ed.Senac/Fapesp). É autora também de “Reescrituras da Arte contemporânea: história, arquivo e mídia” (Editora Sulina, 2015), entre outros.
Priscila Arantes
Priscila Arantes entrevista o Grupo Práticas e Processos da Performance (3P)

P: O Grupo Práticas e Processos da Performance (3P) é composto por quatro participantes: Carlos Eduardo Borges, Marcos Martins, Ricardo Mauricio Gonzaga e Yiftah Peled. O que motivou a formação do grupo? Como é o processo criação coletivo de vocês?

3P: O grupo é formado por artistas-professores que buscam somar suas potencialidades para atingir objetivos maiores. Todos têm pesquisas individuais ligadas às práticas poéticas do corpo e do espaço no campo da performance, reunindo-se em atividades de pesquisa e de extensão, incluindo, o programa de rádio “Linguagens visuais no ar”, veiculado na Universitária FM - 104,7 (Vitória/ES), de onde a performance é tomada como possibilidade de expansão da experiência e da participação. Dentro desse mote, nasce o projeto Preposformance, por meio da curadoria de depoimentos e receitas de performances extraídas de um programa regular de radiodifusão.

P: O nome do trabalho Preposformance II, apresentado no Paço da Artes, brinca com as palavras pré, pós e performance. Se a performance propõe em sua origem a presentificação dos corpos, neste trabalho do Grupo 3P, percebe-se a ausência do corpo e a opção pela exploração da linguagem sonora. Como foi o processo de criação desse projeto? Por que vocês escolheram trabalhar com a linguagem sonora como disparador da performance?

3P: O “Preposformance II” apresenta aqui novas receitas e descrições de performances. Ao adentrar as salas, sensores de presença ativam as gravações a partir dos movimentos dos corpos dos visitantes. Ao variar a sua posição no espaço da instalação, o público pode “sintonizar” a escuta das receitas e descrições, escolhendo ouvir uma ou outra gravação, ou ainda, ao situar-se na área limítrofe das duas salas, no painel vazado, será possível gerar ali a contaminação entre as paisagens sonoras e os espaços de ficção e realidade, passado e futuro.

Buscamos, portanto, ativar a imaginação do público. Por essa razão, pedimos aos artistas que participam do projeto que dêem suas receitas e descrições de performances “como se estivessem falando a um cego”. Essa ideia, por sua vez, nasce de projeto anterior do Carlos Borges, o programa “Linguagens visuais no ar”, que antes, servia a descrição de objetos de arte na rádio. Foi a partir do compartilhamento dessa experiência com o grupo que as descrições passaram a ser adotadas como possibilidades de performances, surgindo um novo programa de rádio especializado em performance, que vai ao ar todas às quintas-feiras, entre 12h e 12h30.

Quanto ao registro sonoro, o artista Ricardo Basbaum comenta na sua descrição (presente nesse projeto), da validade e importância do registro oral. Já outro artista, Leo Monteiro, conduz o seu processo a um não registro imagético de suas performances. Em ambas as experiências o registro oral encontra lugar.

P: O que diferencia Preposformance II da Preposformance I?

3P: As diferenças entre as duas versões do Preposformance estão calcadas no processo do trabalho e seu caráter de work in progress. Dessa forma, as gravações apresentadas no Paço das Artes são inéditas, apesar de nas duas versões, os artistas serem os mesmos.Vale salientar a generosidade e parceria desses artistas ao oferecerem novas gravações de receitas e descrições, mudando portanto, a paisagem sonora que é ativada pelo público em sua participação/interação com a instalação. Outro diferencial pertinente é quanto a instalação propriamente dita que é pensada como site specific, de forma que a arquitetura do Paço comunica com o desenho da instalação, interferindo sutil e dialogicamente na arquitetura. Nesse sentido, o dimensionamento do painel vazado comunica-se com a escala da arquitetura e com o público, permitindo atravessamentos e performatividades dos corpos, tal como os sons que se misturam criando nova camada as já existentes.

P: Em uma das salas de Preposformance II, vocês apresentam gravações em áudios com “receitas’” de performances para serem postas em prática de um lado, e do outro lado, a lembrança de momentos performáticos concebidos e vividos por artistas participantes, como Adriana Barreto, Aimberê Cesar, Alex Hamburger, Daniela Mattos, Dudu Pererê, Edmilson Vasconcelos, Fernanda Magalhães, Gabriel Brito Nunes, Léo Monteiro, Marcelo Brantes, Marcos Paulo Rolla, Paulo Veiga Jordão, Pedro Meyer, Raquel Stolf, Ricardo Basbaum, Suely Farhi, Teresa Siewerdt. Qual foi o critério para escolher os artistas e as performances para receitas e relatos?

3P: Os artistas foram convidados a participar através de contatos anteriores com o Grupo 3P, por meio de colaborações com o programa “Linguagens Visuais no Ar”. Nesse processo, surgiram situações que culminaram numa curadoria afetiva, de onde um grupo de artistas, o 3P, passou a organizar a exposição de outros artistas.

Após a realização das gravações, o grupo ouviu cada uma procurando manter a diversidade nas propostas. Na parte dos depoimentos, situada na sala escura, o fator inventivo da performatividade aposta no poder de recriação desses relatos quando são contados. Já na sala clara, as receitas emulam ações simples como proposições que levantam dúvidas sobre a possibilidade de sua realização.

P: As receitas/instruções de performance já foram adotadas pelas vanguardas artísticas e também na contemporaneidade por vários artistas como Bruce Nauman, Vito Acconci, Regina Silveira, para citar apenas alguns. Por que optaram por trabalhar com receitas/instruções de performance? Quais são as principais referências do Grupo 3P?

3P: Historicamente o campo da performance é conhecido, principalmente, através da relação da ação do artista ao vivo e no uso de seu corpo como instrumento de trabalho. O projeto Preposformance oferta uma lógica de arquivo, na qual, de um lado, há a possibilidade de transferência através de receitas do ato performático para o visitante. Algo pautado na tradição do Grupo Fluxus, bem como nas práticas participativas da arte brasileira, nas quais o visitante é promovido a um envolvimento em situações participativas. Na parte dos depoimentos, a ideia de performatividade presente na obra de J.L Austin em “Como fazer coisas com palavras” (1962) se faz relevante como referência pois o autor demonstrou que em um contexto linguístico, mostra-se as possibilidades de afirmação através de um falar/fazer. Mas, a questão principal que esse projeto promove é o encontro proporcionado através do espaço entre essas duas sonoridades, que se atravessam e extravasam, promovendo uma área limítrofe entre passado e possível futuro da performance.

P: De que forma a participação e interação do público pode contribuir para este trabalho?

3P: Assim como só é possível à escuta de um rádio por meio da ação de ligar e sintonizar o aparelho, no trabalho Preposformance II, a instalação só é ativada com a presença do público, que ajuda a substituir o silêncio pelo som, acionando as falas dos artistas que participam dessa obra. A participação/interação, portanto, se dá nesse atravessamento mútuo entre a obra e o público, inclusive, nas possibilidades de contaminações desse processo. Ao termos outras camadas de som e corpo agindo no espaço, a presença do corpo do público instala a performance e as paisagens sonoras, onde a presença rompe o silêncio. Ao escolher um dos acessos possíveis, o público se vê entre duas salas: uma escura e outra clara. A escura sinaliza uma caixa de imersão e ficção, nela, o passado se dilata. No outro lado, a sala clara apresenta o futuro e a performance que poderá vir a acontecer pela experiência do participante. Ao centro, um painel delimita esse passado e futuro, friccionando uma zona de contaminação. 
REALIZAÇÃO

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