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Temporada 2010
O Lugar da Linha
ABERTURA
19 abril, 2010 - 19h00
VISITAÇÃO
20 de abril a 27 de junho de 2010
ARTISTAS PARTICIPANTES
Artistas da Exposição O Lugar da Linha
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O lugar da linha
Felipe Scovino
O conjunto dessas obras, enquanto estruturas em fragmento, parte do pressuposto de que há de se buscar elementos de resistência que dêem às obras uma capacidade de diferir no meio da indiferença, extraindo da multiplicidade sinais de singularização.
A ansiedade e a incerteza geradas pela dissolução de estruturas fixas são compensadas pela descoberta, em seus interstícios, por assim dizer, de uma nova elasticidade e fluidez. Na tripartite metáfora dessas obras – tempo/objeto/materialidade –, a linha sem forma e sem fim busca seu precário equilíbrio ao mesmo tempo em que é o personagem central dessas narrativas.
O diálogo dessas obras não se encontra na sua aparência imediata, mas na transformação simbólica que a linha sofre; algo que deixa o tempo mais lento do ponto de vista do espectador contemporâneo. A possibilidade de instauração de vias de (im)permanência da linha no espaço, seja nas fotos quase renascentistas de Baldan (onde a linha se confunde entre “ser pintura” ou “ser fotografia”, ao mesmo tempo em que cria um campo autônomo para pensá-las enquanto e tão somente como imagem), ou no diálogo fecundo entre pintura e cinema de uma velocidade quase instantânea e construtora de estiramento na obra de Camargo – uma vez que todos os trípticos estão conectados a uma única estrutura interdependente, ao mesmo tempo em que cada obra guarda a sua unicidade –, que, com o tempo, altera a estrutura desse conjunto.
Laet desloca o acaso como método para o seu trabalho, de forma que a linha torna-se derivada de um acidente. Essa mesma linha não é delimitadora de um espaço, mas estabelecimento de dúvidas, “rios” que transmitem um forte sentimento de aproximação entre silêncio e suavidade. Na escultura de Ana Holck, a linha, gradualmente escapando de seu confinamento e dissipando-se no espaço ao redor, é também o agente de uma entropia gradual à qual o objeto material e seu impacto visual estão sujeitos. Na série Desenhos parasitas de Bianca Tomaselli, acredito ser significativo que estes trabalhos tenham emergido da pintura e tenham modificado a orientação da mesma. É uma linha que exibe o comportamento dos materiais, originando daí o seu significado.
A fluidez, a coexistência na diferença, o caráter processual e a fragmentação são situações que criam campos de diálogo entre as obras e colocam a linha como atravessadora dessas transformações negociadas.
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