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Temporada de
Projetos

Temporada 2007

Junções

ABERTURA
23 abril, 2007 - 19h00
VISITAÇÃO
24 de abril a 20 de maio de 2007
ACOMPANHAMENTO CRÍTICO
Cauê Alves (São Paulo, Brasil, 1977) é professor do curso Arte: história, crítica e curadoria, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É curador do Clube de Gravura do Museu de Arte Moderna de São Paulo e realizou, entre outras curadorias, MAM[na]OCA: arte brasileira do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2006), a mostra Quase líquido, Itaú Cultural (2008) e Da Estrutura ao Tempo: Hélio Oiticica, no Instituto de Arte Contemporânea (2009). Atualmente está preparando uma exposição monográfica sobre Mira Schendel (2010) e será curador do Panorama da Arte Brasileira do MAM (2011) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).

Egidio Rocci: natureza e cultura

Cauê Alves
A pintura de Paul Cézanne se desenvolveu, antes de mais nada, ao contato direto com a natureza e as percepções que ela proporciona. As cores e luzes da paisagem de Provença foram primordiais para a obra que ele construiu durante toda sua vida. Famosa pelos artistas que nela viveram, essa região do sul da França é conhecida pelos tons alegres que derivam de sua luminosidade. Embora diferente do clima tropical por causa dos ventos mediterrâneos, o verão de Provença, assim como a boa pintura lá realizada, é apreciado no mundo inteiro. Foi nessa mesma região que surgiu no século XVIII o chamado estilo Provençal. Ligado à decoração e ao mobiliário, trata-se de um estilo não tão refinado e nobre como os de Luis XV e XVI. Originalmente, é uma espécie de versão camponesa inventada pelos artesãos que, sem os mesmos recursos da corte parisiense, como folhas de ouro e madeiras de qualidade, se propuseram a copiar a decoração dos luxuosos palácios com um toque da alegria mediterrânea.

No século XX o estilo Provençal virou moda e, principalmente nos anos 1950, móveis inspirados no gosto da França de dois séculos antes foram fabricados em grande escala, agora mais leves, resistentes e com um ar burguês. A sua difusão prosseguiu nos anos seguintes, e os móveis de estilo Provençal usados por Egidio Rocci em suas “Junções” possuem mais ou menos a idade do artista. Não chegam a ser peças raras, trata-se de um mobiliário padrão que foi selecionado por ele em casas de móveis usados. O estilo Provençal se popularizou no mesmo período em que a arte construtiva se consolidou no Brasil, e o trabalho de Rocci compartilha tanto dessa matriz construtiva quanto das linhas mais orgânicas que desfiguram sua rigidez formal.^

Os frontões talhados e curvos na parte superior dos guarda-roupas se contrapõem às linhas retas de seu tronco. Uma espécie de remate sobre as portas lembra a figura de um brasão, mas são apenas enfeites. A oposição que o trabalho estabelece é justamente entre esses ornamentos curvos, pernas esculpidas e afinadas, e a estrutura reta dos armários, cujas portas, fundo, teto e forro foram retirados. Embora não se encostem um no outro, os móveis se fundem, se interpenetram e formam linhas horizontais e verticais, as coordenadas básicas para a orientação do espaço. A objetividade da estrutura vazada e dos tons monocromáticos contrasta com os detalhes e adornos que caracterizam o estilo Provençal. Do mesmo modo, a rigidez dos sarrafos é quebrada por outras madeiras que parecem atravessá-lo: o resultado é um trabalho todo vazado, mas fechado sobre si mesmo.

Essas obras são desdobramentos de uma outra série em que objetos com mais volume e menos espaços vazios interagiam como espécies naturais que co-habitam o mesmo espaço. Combinados, mas sem perderem sua particularidade, aqueles móveis, ao contrário desses, se confundiam e ao mesmo tempo permaneciam diferenciados, não apenas devido a estilos diversos, mas também por causa da cor e do material.

As “Junções” de Egidio Rocci nos revelam a tendência do cidadão contemporâneo de se aproximar de uma natureza já reificada, conhecida a partir de diversas mediações. Por isso sua matéria-prima, distante da luz e das cores alegres de Provença, é industrializada e de segunda mão. Mas, como todo trabalho de arte, dialoga indiretamente com a tradição e com o seu passado, ao mesmo tempo que se abre para o presente e para o futuro, instaurando uma profusão de sentidos.
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