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Paço das Artes
Av. Europa 158
Jardim Europa
CEP 01449-000
São Paulo/SP, Brasil
T 11 2117 4777 r. 413/414

Temporada de
Projetos

Temporada 2004

Rock: Rampa

ABERTURA
16 setembro, 2004 - 19h00
VISITAÇÃO
16 de setembro a 10 de outubro de 2004
ACOMPANHAMENTO CRÍTICO
Cauê Alves (São Paulo, Brasil, 1977) é professor do curso Arte: história, crítica e curadoria, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É curador do Clube de Gravura do Museu de Arte Moderna de São Paulo e realizou, entre outras curadorias, MAM[na]OCA: arte brasileira do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2006), a mostra Quase líquido, Itaú Cultural (2008) e Da Estrutura ao Tempo: Hélio Oiticica, no Instituto de Arte Contemporânea (2009). Atualmente está preparando uma exposição monográfica sobre Mira Schendel (2010) e será curador do Panorama da Arte Brasileira do MAM (2011) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).

Plano inclinado

Cauê Alves
Rock: Rampa de Thiago Bortolozzo para a Temporada de Projetos marca uma guinada em sua produção. Distante de formas desajeitadas e improvisadas, este trabalho, ao contrário da série Vital Brasil, não joga com o equilíbrio capenga e com a ausência de sustentação e solidez. A instabilidade que colunas e vigas revestidas de madeirite engendravam no espaço arquitetônico, em seus projetos anteriores, é aqui convertida em firmeza. 

Trata-se de rampas para o corpo e para o olhar do espectador, como as usadas por skatistas. Com forma piramidal e estrutura modular, o sentido insinuado do movimento é concêntrico. As superfícies inclinadas convergem para um plano no centro da composição e se opõem à dispersão do espaço expositivo do Paço das Artes. O projeto, que leva em consideração o baixo pé-direito da construção, está em harmonia com a horizontalidade do prédio. 

Não se trata de um playground para a diversão, mas nada impede as crianças de brincarem nele. Também não é uma escultura apenas para ser contemplada, embora a peça sugira movimentos visuais e, tampouco, um palco para performances espontâneas, mesmo que o comportamento do público seja sempre imprevisível. Consciente da ingenuidade de projetos que creem na possibilidade da participação plena nos dias de hoje, o artista propõe que o espectador suba os cerca de 60 centímetros de altura da rampa para ter uma visão mais ampla e aberta do local. Essa interação tímida, sem um objetivo didático e claramente determinado para o público, ao mesmo tempo em que desestimula a indiferença do visitante, gera indagações sobre a relação do sujeito com a arquitetura do prédio. 

Notável é a sua não utilidade como rampa de acesso, como facilitador da subida ou descida de algum objeto ou pessoa, e ao mesmo tempo certa proximidade com o design. Interessa ao artista as aparências do espaço e as modificações criadas nele pela expografia. 

Como em eventos, feiras e campeonatos esportivos que dominam a agenda da cidade, Bortolozzo recorre à empresas que trabalham com rampas de skate. Terminado o evento, as peças serão retiradas do espaço e instaladas em outro contexto, provavelmente não ligado ao circuito das artes. Contratar especialistas para a montagem reforça seu distanciamento em relação ao improviso. O inacabamento é descartado, o bem feito e o impecável são metas a serem alcançadas. 

Com esse trabalho, o artista mostra o quanto sua produção é refratária às tentativas precoces de conceituação de tendências da arte contemporânea e o quanto ele não se adéqua totalmente aos anseios de curadores internacionais que priorizam a gambiarra e a precariedade na arte feita no Brasil. Rock: Rampa se recusa a corroborar a visão de que a arte produzida em países subdesenvolvidos seja necessariamente pobre, regional e que apresente os remendos de nossa vida social, como se aqui não pudesse existir obras bem-acabadas e lapidadas.
REALIZAÇÃO

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