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Paço das Artes
Av. Europa 158
Jardim Europa
CEP 01449-000
São Paulo/SP, Brasil
T 11 2117 4777 r. 413/414

Temporada de
Projetos

Temporada 2004

Projeção

ABERTURA
02 agosto, 2004 - 19h00
VISITAÇÃO
02 de agosto a 29 de agosto de 2004
ACOMPANHAMENTO CRÍTICO
Daniela Maura Ribeiro é doutoranda em história social pela FFLCH-USP e mestre em artes pela ECA-USP. Colabora com textos críticos em catálogos de exposições.

Projeção

Daniela Maura Ribeiro
"Muitas vezes me acontecera de topar os olhos por acaso, num espelho, com alguém que estava me vendo naquele mesmo espelho. Eu não me via no espelho e era visto; assim como o outro não se via, mas via meu rosto e se via olhando por mim. Se eu avançasse a ponto de poder me ver no espelho, talvez ainda pudesse ser visto pelo outro, mas eu não, não teria mais podido vê-lo Não se pode ao mesmo tempo ver-se e ver que um outro está nos olhando no mesmo espelho." Luigi Pirandelo. Um, nenhum. cem mil. 

O número não é apenas um símbolo no trabalho de Raquel Kogan, mas uma linguagem. Seja por meio da pintura, da gravura, da instalação ou do objeto, a artista discute questões como identidade, lugar, aculturamento ou urbanidade. 

Para traçar uma breve trajetória, considerando os últimos oito anos, encontramos o número, como massa ou escrita, nas telas (1996), gravuras (1998) ou nas lâminas para microscópio (2000). Já no projeto interativo Reflexão (2003), o número e o indivíduo são um corpo só: uma seqüência numérica em movimento, gerada por um software, é projetada em toda a extensão de uma parede e refletida num espelho d'água. O visitante se torna mais um suporte, quando a imagem incide no seu corpo e sua sombra se projeta na parede. Em 2004, na instalação Concreto Paulista, o número aparece para quantificar e identificar as 450 caixas de acrílico, contendo pedaços de concreto das ruas em obras de São Paulo. 

No Paço das Artes, Raquel apresenta a instalação multimídia Projeção (2002-2004), com a qual irá questionar sobre o lugar do indivíduo, a virtualidade, a ilusão e a temporalidade. 

Em uma sala escura, através de um vidro reflexivo, são vistos números e a projeção de um filme no qual pessoas se movimentam. Os números são gerados por um marcador de tempo digital, que fará a contagem do tempo de duração da exposição, desde o seu início. 

Ao entrar, o visitante verá sua imagem refletida no vidro e integrada à projeção e aos números. A laminação especial desse vidro, que na presença de luz produz um efeito de reversibilidade, propicia olhar o outro enquanto o outro me olha. Além da visão da própria imagem, fundida ao filme/números, e de notar a presença do outro, o visitante, à medida que for ocupando o espaço da sala, será envolvido por uma trilha sonora interativa: uma mescla de sons, previamente gravados, com aqueles produzidos pelos ruídos do ambiente, em tempo real. 

O fato de se reconhecer na imagem projetada e no ambiente sonoro, somado à percepção da cronometragem do tempo (instante em que está ali), permite que o visitante se veja, ou não, como parte da obra. Neste contexto, a interatividade com o espectador é que detona as possibilidades do trabalho da artista de: identificar-se (vidro reflexivo - visão de si, do outro e da projeção - e trilha sonora), localizar-se (na projeção, no espaço expositivo - ambiente virtual e real- e no tempo - contagem do relógio) e posicionar-se (no interstício do espaço ilusório e real criado pela imagem e som).
REALIZAÇÃO

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