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Temporada de
Projetos

Temporada 2002

Assolamentos

ABERTURA
08 agosto, 2002 - 20h00
VISITAÇÃO
08 de agosto a 08 de setembro de 2002
ACOMPANHAMENTO CRÍTICO
Daniela Maura Ribeiro é doutoranda em história social pela FFLCH-USP e mestre em artes pela ECA-USP. Colabora com textos críticos em catálogos de exposições.
Daniela Maura Ribeiro
a cidade sou eu
sou eu a cidade.
Carlos Drummond de Andrade

São Paulo tem sido representada, desde antes de sua urbanização, por várias expressões artísticas. Hoje, essa metrópole inspira a produção de diversos jovens artistas - especialmente aqueles que desenvolvem suas poéticas no âmbito da fotografia. Alguns mostram a paisagem paulistana tal como era no séc. XIX lado a lado com sua paisagem atual. Outros a retratam revelando a beleza de suas ruas iluminadas repletas de vitrines. Ainda há quem se atenha às transformações diárias que sofre essa São Paulo, sob o ponto de vista arquitetônico – e esse é o caso de Thiago Bortolozzo.

Bortolozzo elege a arquitetura presente em seu trajeto cotidiano como fonte de questionamento. Na série Assolamentos que vem desenvolvendo desde 1999, parte da ideia de rua assolada por crateras e infiltrações para criar uma cratera simbólica que abra espaço à percepção do espectador.

Às vezes apenas a luz, a parede e o chão são elementos suficientes para compor a fotografia. O foco está na luz fria, que combinada à luz natural e ao flash da câmera altera a cor branca da parede que ganha tonalidade amarelada. Aparentemente uma cena corriqueira, mas um olhar mais atento reconhece - nessa fotografia de estrutura tão simples - o espaço expositivo de um museu.

Em outras imagens, figuram os tijolos e o cimento aparentes em construções de casas, algumas localizadas no interior do Estado de São Paulo, em contraste com o azul intenso do céu. Cabe ressaltar que Bortolozzo espera para fotografar em dias de céu aberto para captar a paisagem que lhe interessa ao mesmo tempo em que se arrisca a perdê-la: no intervalo gerado pela espera a casa termina de ser construída, ou seja, mascara o material outrora aparente e transforma a paisagem.

A iconografia da São Paulo retratada pelo artista, integra ainda, a sinalização e os portões de entrada/saída de garagens e estacionamentos, elementos estes que passam a representar as rotas e fluxos da metrópole.

Esses fluxos e o caráter transitório da paisagem, refletem sobre o lugar do cidadão contemporâneo em relação ao espaço urbano enquanto fragmentos sintéticos de uma “metrópole incontida, absorvente” (FABRIS, Annateresa. O espetáculo da rua. In Fragmentos Urbanos: representações culturais. São Paulo: Studio Nobel, 2000, p. 73).
REALIZAÇÃO

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