Busca
Procure por artistas,
obras ou exposições
Paço das Artes
Av. Europa 158
Jardim Europa
CEP 01449-000
São Paulo/SP, Brasil
T 11 2117 4777 r. 413/414

Temporada de
Projetos

Temporada 1999

O sequestro da história

ABERTURA
09 dezembro, 1999 - 20h00
VISITAÇÃO
10 de dezembro de 1999 a 30 de janeiro de 2000
ACOMPANHAMENTO CRÍTICO
Guy Amado é crítico e pesquisador de arte contemporânea, mestrando em história da arte pela ECA-USP. Integra o corpo editorial da revista Número.
Guy Amado
O corpo da obra de Edney Antunes parece se constituir de investigações acerca de aspectos que tangenciam o social e o comportamental, podendo eventualmente assimilar o discurso conceitual, sem no entanto incorrer, por este procedimento, em maiores compromissos com esta vertente. Interessando-se por aspectos diversos do contexto popular, o artista recorre ao repertório gerado pelo campo de tensões do cotidiano, para estabelecer leituras intercambiáveis com outras áreas da cultura. O tempero, no entanto, é invariavelmente dado pela mordacidade bem-humorada com que subverte qualquer possibilidade de leitura fechada de sua obra. 

Egresso, por formação, da pintura, Antunes teve gradualmente sua produção encaminhada para incursões em outros processos, como a escultura, objeto e instalação. Não se restringindo a determinadas mídias, prefere valer-se da linguagem que melhor traduza suas inquietações para determinado projeto: na recente instalação Vozes (1998), por exemplo, estampa em camisetas depoimentos colhidos junto a segmentos marginalizados da sociedade para comentar uma situação de abandono. 

Em O sequestro da história (1998), aqui apresentado, constrói um inusitado painel, a partir de detalhes ampliados sobre reproduções dos conhecidos retratos do fotógrafo Novarro, onde grandes nomes da produção artística do século são capturados em close. 

A sensação de estranhamento é reforçada pela presença provocativa, em meio à profusão de fragmentos das peles ilustres, do personagem encapuzado - o próprio Antunes, como que reivindicando seu lugar neste panteão ("... numa festa à qual não fui convidado"). 

O artista afirma ser uma preocupação recorrente em seu processo a busca por uma certa identidade para sua obra; a constatação - pelo próprio - da impossibilidade desta empreitada, teria gerado uma subsequente necessidade de expressão desta condição, de resto presente em O sequestro... 

A presença do próprio artista como agente subversor da ordem de um sistema de códigos pré-estabelecidos ganharia as cores de elemento catártico destas angústias pessoais; ao cobrir o rosto com a balaclava, evoca diretamente a ideia da salvaguarda da identidade, confrontando o espectador, devolvendo-lhe o olhar deseperançado e acentuando o desconforto. 

Lidando com conceitos de apropriação, reprodutibilidade e autoria, Edney parece reafirmar seu contínuo processo auto-investigativo, potencializando questões inerentes à própria natureza da arte. 
REALIZAÇÃO

Realização
Fale Conosco | Mapa do Site | Ouvidoria | Transparência | Trabalhe Conosco Design ps.2 | Tecnologia ps.2wcms