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Ensaio

Lais Myrrha: tempo e história

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por José Bento Ferreira
IMPRENSA
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Em 2007, no Rio de Janeiro, com Redução ao absurdo, ficaram mais claros certos aspectos do trabalho de Lais Myrrha como um todo. Naquela exposição, os trabalhos individuais podiam ser vistos como partes de uma coisa só. De acordo com a crítica Luisa Duarte, “formam um só circuito”. Cenários em escombros e referências ao declínio da cultura compunham uma visão de mundo apocalíptica que a artista não cessou de revisitar nos trabalhos seguintes.

 

Uma visão de mundo que na realidade é uma visão de fim do mundo não deixa de ser tributária de alguma teologia. Como escreveu T.S. Eliot, ao longo dos séculos fomos levados para “mais longe de Deus e mais perto do pó”. Em seu ótimo texto, Luisa Duarte não discorda disso ao remeter o universo de Lais Myrrha ao pensamento de Walter Benjamin, teórico da “redenção”, e propor que o “mantra sombrio” das “ruínas” fosse entendido como prenúncio de “auroras”.

 

Em trabalhos posteriores, Lais Myrrha esforça-se para refinar seu pensamento sobre o tempo e a história. Em Border game (2009), exposição realizada em São Paulo, parece mais preocupada em fazer perguntas do que em proferir sentenças, como percebeu bem a crítica Júlia Rebouças: “Quantas palavras (...)? Quantas linhas (...)? Quantos dias (...)? O que resta (...)?”

 

São trabalhos mais “estáveis”, como indica um dos títulos. Procuram pôr à prova a capacidade da arte contemporânea de produzir ruínas. Em parte, pela recusa dos valores que embelezavam as autênticas obras de arte, que se arruinaram. Mas também porque dificilmente se representa esse estado de ruína sem “estetização”, como alerta o próprio Benjamin.

 

Posteriormente, na exposição coletiva Aluga-se (2010), Lais Myrrha construiu um espaço semelhante a uma daquelas salas de 2007, mas tão desprovido desta deplorável “estetização da política” que a proximidade de cada componente do trabalho com o mundo comum tornava quase indistintos o espaço da obra e o espaço ao redor.

 

Em Pódio para ninguém (2010) e Coluna infinita (2011), a indistinção entre os mundos da arte e da vida continua sendo problematizada. O que está em jogo para Lais Myrrha é que mundos tão diferentes não sejam separados senão por uma linha tênue. Testar esta linha, afrouxá-la ou forçá-la até o extremo passa a ser a tarefa da arte de agora em diante.

 

 

José Bento Ferreira

www.blogdobento.net

 

Texto de Luisa Duarte para a galeria Novembro Arte Contemporânea:

http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=1565#2bis

 

Texto de Júlia Rebouças para a Galeria Millan:

http://www.pixfolio.com.br/arq/1300915117.pdf

 

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