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Paço das Artes
Av. da Universidade 1
Cidade Universitária
CEP 05508-040
São Paulo/SP, Brasil
T 11 3814 4832

Crossing [Travessias]

ABERTURA
12 setembro, 2010 - 18h00
VISITAÇÃO
12 de setembro a 07 de novembro de 2010

28 de setembro, 19h: Mesa redonda Arte, Memória e Poder, com Márcio Seligmann-Silva e Priscila Arantes
CURADORIA
Priscila Arantes
ARTISTAS PARTICIPANTES
AES+F, Alice Miceli, Ana Mendieta, Lucas Bambozzi , Paço Educativo, Paloma Oliveira, Tatiana Blass, Yoshua Okón
Como parte das comemorações de seus 40 anos, e integrando o São Paulo Polo de Arte Contemporânea, o Paço das Artes apresenta a exposição Crossing [Travessias]. Com curadoria de Priscila Arantes, diretora técnica do Paço das Artes, a mostra reúne obras que refletem sobre o tema da memória e do poder a partir da articulação de três vetores. O primeiro é formado por trabalhos que colocam em cena a memória histórica/cultural através de narrativas coletivas e individuais, reais e fictícias. O segundo vetor volta-se para projetos que incorporam o transcorrer do tempo e a efemeridade em seu próprio fazer e que dialogam com o tema da memória e da história no campo das artes. Um terceiro aspecto da exposição volta-se à discussão da memória digital, do arquivo e à configuração dos novos territórios de poder da cultura contemporânea.

Crossing [Travessias] diz respeito a caminho, trajeto, viagem. Muitas vezes é a palavra utilizada, tanto no campo teórico quanto literário, para descrever o trajeto da memória: na travessia das distâncias, realiza-se a poesia da memória, individual e/ou coletiva, e a percepção do tempo. “A ideia da mostra é contribuir, a partir do tema geral da memória, para uma visão crítica a respeito de nossa história tanto social quanto cultural”, afirma Priscila Arantes, curadora e diretora técnica do Paço das Artes. “Uma vez que a história é produto construído, é pertinente refletir sobre quais são os dispositivos de construção de nossa memória e de que forma lidamos com os arquivos contemporâneos, questões presentes na exposição”.

Artistas e obras
O coletivo russo AES+F, amplamente reconhecido por sua participação na penúltima Bienal de Veneza, é representado pela primeira vez no Brasil com a videoinstalação Last Riot [Último motim], de 2007, que aborda a forma como tecnologias e materiais transformam o ambiente artificial numa paisagem fantástica de uma nova época. Os heróis dessa época têm uma só identidade: a de participantes do último motim. Cada um luta contra si próprio e contra o outro; já não há diferença entre vítima e agressor, masculino e feminino. Esse mundo celebra o fim da ideologia, da história e da ética.

A artista carioca Alice Miceli, que participa da 29ª Bienal de São Paulo, integra a mostra Crossing [Travessias] com o vídeo 88 de 14.000, de 2004. Neste trabalho, as imagens de 88 prisioneiros mortos na prisão S-21, na capital do Camboja, durante o regime do Khmer Vermelho são materializadas em areia e exibidas em uma tela numa sucessão que respeita a data em que foram produzidas. Estas imagens são as últimas que se tem dos retratados em vida. Um dia de vida na prisão S-21 equivale a um quilo de areia, o que significa 4 segundos de visibilidade no vídeo.

A brasileira Tatiana Blass, que também participa da Bienal neste ano, prepara um trabalho inédito para o Paço das Artes, a instalação Pendurado. A obra é feita em parafina a partir do molde de um cachorro de pé, que fica pendurado por uma cinta de couro sobre uma chapa de latão polido disposta no chão. Uma resistência elétrica abaixo da chapa irá aquecê-la, derretendo o cachorro aos poucos.

Precursora da arte da perfomance, a artista cubana Ana Mendieta também está presente na mostra com 3 vídeos: Alma Silueta de Fuego, 1975; Corazón de roca con sangre, 1975; e Untitled (Blood sign #2 / Body tracks), 1974. Mendieta criou Body Tracks ao longo de sua carreira: mergulhava seus braços em sangue ou tinta e os arrastava sobre uma superfície, deixando uma impressão distinta de seu corpo e, no caso do vídeo exposto no Paço, de seu colapso com o chão. Também compõe a mostra uma série de 5 fotografias coloridas – Untitled (Rape Scene), 1973/2001, que nunca foi mostrada no Brasil e apresenta uma suposta cena de estupro, interpretada pela própria artista.

A videoinstalação inédita Do Sofá da Sua Casa, 2010, de Lucas Bambozzi e Paloma Oliveira, reconstitui, através de vídeos mapeados em um cenário doméstico, o pânico vivido por milhões de pessoas diante do espetáculo midiático que se seguiu aos ataques PCC na cidade de São Paulo em 2006. São vídeos que contrapõem diferentes pontos de vista, que fazem oscilar a noção de verdade embutida nos registros visuais: em imagens dos ataques encontradas em hipotéticos celulares perdidos, através de uma suposta conversa com um integrante do PCC em crise de consciência, a cena de um ônibus sendo queimado e as linhas de varredura de uma TV que desenha os fatos de forma fragmentada, por sobreposição e excesso.  

O mexicano Yoshua Okón participa da mostra com a videoinstalação Risas Enlatadas, de 2009. A obra documenta a criação de uma "maquiladora", uma fábrica mexicana que explora trabalhadores mal pagos, geralmente mulheres, e que, na maioria das vezes, existe por conta de companhias multinacionais estrangeiras. A fábrica concebida por Okón produz risos enlatados, um produto  multimídia fundamental usado pela indústria do entretenimento da televisão. Nesse projeto, Okón estuda intencionalmente os códigos de comunicação  da imagem corporativa e estimula a reflexão sobre os limites da relação entre a espontaneidade original da emoção e as lógicas seriais da indústria contemporânea.

O Paço Educativo, coordenado pelo artista Claudio Cretti e composto pelos artistas educadores Daniela Avelar, Gabriel Nascimento, Mariana Fernandes e Tiago Santinho, apresenta o trabalho Desblocados, que propõe recuperar antigos brinquedos infantis, criados a partir de peças modulares desenhadas à maneira dos antigos jogos de montar. De caráter interativo, a obra apresenta ao público um jogo de invenção de estruturas, que nos transportam para outras épocas. O exercício construtivo permite-nos pensar na memória como uma arquitetura instável, acúmulo de camadas históricas, destruição e reconstrução constantes.

A mostra também contempla a mesa redonda Arte, Memória e Poder, com Márcio Seligmann-Silva e Priscila Arantes, no dia 28 de setembro, às 19h. Todas as atividades são gratuitas.
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