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Assim é, se lhe parece

Com curadoria de Priscila Arantes e Claudio Cretti, a exposição aborda questões relacionadas à percepção e às utopias e distopias contemporâneas

ABERTURA
04 julho, 2011 - 19h00
VISITAÇÃO
05 de julho a 18 de setembro de 2011

Terça a sexta, das 11h30 às 19h;
sábados, domingos e feriados, das 12h30 às 17h30. Gratuita
CURADORIA
Priscila Arantes e Claudio Cretti
ARTISTAS PARTICIPANTES
Alberto Simon, Ann Lislegaard, Bruno Dunley, Laura Belém , Laura Vinci, Leandro Erlich, Milton Marques, Paulo Nenflidio , Sara Ramo, Wagner Malta Tavares
Com curadoria de Priscila Arantes, diretora e curadora da instituição, e Claudio Cretti, coordenador do Paço Educativo, a exposição Assim é, se lhe parece aborda questões relacionadas à percepção e às utopias e distopias contemporâneas.

Assim é, se lhe parece faz um paralelo com a peça homônima Cosí è, se vi pare, do escritor italiano Luigi Pirandello. Sob a mesma ótica que norteia o trabalho do autor, a mostra busca questionar o paradoxo entre aparência e essência, verdadeiro e falso por meio de trabalhos que criam uma atmosfera onírica e/ou alegórica. “Em Pirandello, fica claro que o homem não consegue desvencilhar-se do labirinto das aparências, não distinguindo, assim, o real e o ilusório. E essa é a nossa proposta para a exposição: explicitar esse movimento duplo”, afirma a diretora. “A forma de olharmos o mundo muda conforme crescemos e aprendemos novas coisas. Os objetos e as pessoas aparentam o que querem ou o que queremos que eles aparentem?”, questiona Cretti.

Serão expostos os 11 trabalhos de artistas brasileiros e estrangeiros: Alberto Simon, Ann Lislegaard, Bruno Dunley, Laura Belém, Laura Vinci, Leandro Erlich, Leandro Lima e Gisela Motta, Milton Marques, Paulo Nenflidio, Sara Ramo e Wagner Malta Tavares. “A partir de abordagens diversas, as obras da mostra colocam em debate o questionamento sobre a realidade”, explica Priscila Arantes.

Alberto Simon vem desenvolvendo uma série de trabalhos que debate os limites da pintura e seus processos de legitimação. O que parece ser uma pintura abstrata emoldurada é, na verdade, uma simulação de uma situação real de uma pintura em um portão, que Simon desvenda ao espectador em uma simples fotografia documental. Pode-se dizer que o artista apropria-se e desloca para outro lugar a matéria e, com isso, ressignifica-a.

Bellona é uma cidade fictícia inspirada no romance de ficção científica de Samuel R. Delany, o Dhalgren. Destruída por uma catástrofe desconhecida, a cidade encontra-se isolada em seu próprio mistério e incomunicável com o mundo. No vídeo Bellona (after Samuel R. Delany), Ann Lislegaard cria uma viagem virtual pelas estruturas arquitetônicas desta cidade que se encontra fora do tempo e do espaço mensuráveis. Nessa estranha arquitetura, portas e janelas são meras ilusões para um escape desse lugar labiríntico.

Bruno Dunley constrói narrativas através de espessas camadas e depósitos de tinta, muitas vezes monocromáticas. São cenas de um mundo onírico e de investigação da memória - como teatro de sombras - repletas de estranheza. Os objetos fundem-se com a materialidade da tinta, a qual, ao mesmo tempo em que os torna aparentes, apaga-os e os desfaz, restando apenas vestígios. São camadas que se sobrepõem umas às outras, enganando os olhos do espectador. O que é fundo e o que é primeiro plano?

Gisela Motta e Leandro Lima apresentam Amoahiki que foi realizado a partir de uma visita à aldeia indígena Yanomami Watoriki em Roraima. Projetado sobre uma tela de múltiplas camadas de tiras de tecido, o vídeo apresenta imagens de uma floresta tropical utópica e de seus habitantes que, a partir de sobreposições, mesclam-se à paisagem. Não é possível saber ao certo se o que se move é a tela ou se são as folhagens da projeção.

Por meio de simples operações que convidam o espectador a reinventar sua relação com o mundo à sua volta, a artista Laura Belém constrói narrativas poéticas e fictícias. Lugar em fuga traz uma cena de um mundo onírico. Uma canoa feita de areia compactada pousa sobre um banco ou mar de areia, que a invade. Os limites dos elementos não podem ser definidos; não é possível saber se a canoa surge da areia ou se a areia surge a partir da dissolução do objeto.

Laura Vinci traz em seus trabalhos temas como as mudanças de estado, passagens, tempo e ciclos. A frase “O branco do rio passa” é inscrita em tubulações frias, por onde passa água corrente, que, em contato com o metal, cristaliza partículas de umidade do ambiente, congelando a frase. O vídeo Branco traz para dentro do espaço expositivo uma densa cachoeira que nunca cessa de jorrar suas águas, causando uma forte relação do espectador com as águas/natureza, levando-o para além da imagem, para um lugar fora do museu.

O argentino Leandro Erlich é conhecido por instalações que parecem desafiar as leis básicas da física, gerando incerteza e estranhamento no espectador. Seus trabalhos questionam a linha entre realidade e ilusão, mostrando que o que parece ser ilusão pode, na verdade, ser real. As três fotografias apresentadas partem de uma grande instalação, na qual é utilizado um dos principais aparatos da ilusão, o espelho. Pessoas posicionam-se sobre fachadas de prédios e casas em tamanho real deitadas no chão. As imagens são as projeções dessas cenas por lentes sofisticadas, espelhos e outros mecanismos, que fazem parecer que as pessoas flutuam por essas fachadas. Os espelhos têm potencial de construir esses lugares e tornar presente a ausência.

Milton Marques desenvolve pequenas engenhocas a partir de vídeos e de aparatos tecnológicos obsoletos. Nesta instalação, vê-se em uma sala escura o satélite terrestre iluminado. O que parecia ser a projeção da imagem de uma lua aos poucos revela, a um olhar atento, ser um objeto real (uma lâmpada branca).

Paulo Nenflidio trás sua obra Cigarra Mestre + 7 Ninfas Solares, é uma instalação composta por oito esculturas que possuem circuitos eletrônicos alimentados por energia luminosa, tanto solar como artificial. A escultura maior é a Cigarra Mestre, instalada ao centro. Em torno dela, encontram-se sete esculturas menores, as Ninfas Solares. A Cigarra Mestre, que possui um circuito de contagem regressiva de uma
hora, semelhante aos de bomba-relógio, comanda as Ninfas. De hora em hora, ela aciona seu som e, ao mesmo tempo, envia ondas de rádio para as Ninfas que, por sua vez, acionam um som sincronizado com da Cigarra Mestre. Pequenas diferenças de fase, amplitude e frequência nos sons produzidos pelas esculturas espalhadas pelo espaço produzem um efeito que simula o som produzido pelas cigarras em
ambiente natural.

Limitações, temporalidade e ambiguidade são questões constantemente evocadas na obra de Sara Ramo. De passagem adentra o universo de uma casa perdida no tempo e no espaço. No início, a casa está vazia; uma terra preta como carvão começa a penetrar e invadir seus diversos ambientes. Não se sabe se a terra enterra a casa ou se a casa domina a terra, nem tampouco se a casa é real ou de brinquedo.

As obras de Wagner Malta Tavares proporcionam relações lúdicas entre as pessoas e as coisas simples do mundo, entre o concreto e o sensível. Em Nebulosa, o espectador entra em uma sala, na qual uma nuvem de bolha de sabão paira no ar. Essa massa de bolhas é uma espécie de escultura móvel e efêmera que se constrói, destrói e reconstrói o tempo todo, na medida em que são geradas novas bolhas e outras explodem.
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