Grau Zero
13 de julho a 13 de
setembro de 2009
Curadoria: Priscila Arantes e Fernando Oliva
Artistas:
Christian Marclay; Claudio Bueno; Daniel Borins;
Fabio
Faria; Guilherme
Marcondes e Andrezza Valentin;
Hildebrando de Castro; Kota Ezawa; Les
LeVeque; Ornella
Castelli di Sabbia; Rick
Castro; Rodrigo
Bivar;
Tiago Judas; Tonico Lemos Auad
Texto curatorial por Priscila Arantes e Fernando Oliva
Grau Zero investiga o dilema das imagens que, cindidas pela superexposição à indústria cultural, habitam hoje um campo de indeterminação, ambigüidade e dúvida. Nesta espécie de "buraco negro" das representações, torna-se impossível discernir o original de suas cópias, a reeencenação da repetição, o natural do posado, o verdadeiro do falso. A um só tempo ocas e densas, vazias e saturadas, vagam à deriva, fantasmáticas, em busca de uma conexão que as religue com suas narrativas originais.
Mickey Mouse, Barbie, Darth Vader e outros objetos icônicos reivindicam hoje – com um riso cínico nos lábios – seu lugar ao lado das nobres imagens da iconoclastia contemporânea, sem hierarquias que as impeçam de existir ou de se reapresentar de maneira insistente.
É curioso notar que, se esta profanação do cânone foi celebrada nos anos 1980, retornou como sensação de perda e melancolia a partir do final dos 1990, caso emblemático da célebre obra No Ghost Just a Shel, de Pierre Huyghe/Philippe Parreno, em que os artistas compraram de uma empresa especializada em mangás o direito de uso e imagem de uma heroína chamada Annlee (naquele momento apenas uma personagem sem passado ou história), passando então a criar estratégias para sua sobrevivência, pela via da invenção de narrativas que lhe dessem alma.
Na base de Grau Zero se encontra ainda uma história de fascínio e repulsa mútuos (França e América), um ícone que sintetiza este embate e uma dupla de artistas que fez dele um projeto. Last Manoeuvres in the Dark (apresentada no Palais de Tokyo, Paris, em 2008), de Fabien Giraud e Raphaël Siboni, eleva uma célebre imagem da indústria cultura (no caso, a máscara de Darth Vader) à categoria de “objeto zero”: uma estrutura oca, de dimensões (espaciais e conceituais) infinitas, disponível a toda sorte de uso e ocupação. Tão vilipendiada e abusada que chegou a uma espécie de limite, de rompimento com qualquer idéia de narrativa, lógica ou moral (como Michael Jackson, O.J. Simpson ou aeronave modelo A330 da Airbus). Deste modo, o vilão de Guerra nas Estrelas não assusta mais ninguém, seja no cinema, no vídeo, no Carnaval ou na versão em terra cota negra dos franceses Giraud e Siboni.